sábado, 7 de setembro de 2013

O Pereirinha

         Antônio Pereira Pinto e seu filho Gregório Pereira Pinto, este casado com Ana Angélica de Jesus, filha de Francisco Magalhães Barreto e Sá, um dos fundadores de Barbalha-CE, se estabeleceram na região de Terra Nova-PE e foram os patriarcas das famílias Parente e Callou.

         Segundo o historiador Antônio Correia Lima, Antônio Pereira Pinto era natural de Inhambupe, cidade baiana na fronteira com Sergipe. O Pe. Antônio Gomes de Araújo fala de um morador do Cariri que tinha o mesmo nome, era este um filho do Coronel de Milícias, Alexandre Correia Arnaud e de Rosa Maria de Santana, neto paterno de João Correia Arnaud fundador de Missão Velha e neto materno de Manuel Pereira Madeira e de Ana Maria de Jesus, baianos, da mesma família do caudilho Pinto Madeira que fez a "Revolta dos Cacetes" em 1831-32. Este Alexandre era o pai de José Alexandre Correia Arnaud, que desafiou o caudilho José Pereira Filgueiras e criou a Capitania-Mor de Jardim-CE. Como era comum primos terem o mesmo nome em homenagem a um ancestral comum, é provável que este não seja o tal Pereirinha, e sim um parente homônimo, já que o neto de João Correia Arnaud teve um filho chamado Alexandre que foi batizado por volta de 1800, enquanto Gregório Pereira Pinto já tinha a patente de tenente por volta de 1791 e já estava casado com Ana Angélica de Jesus, filha de Francisco Magalhães Barreto e Sá e de Dona Polucena de Lima por volta de 1803.

         Por outro lado, Gregório, filho Antônio Pereira Pinto e de Joana Batista do Espírito Santo tinha uma irmã de nome Rosa, o mesmo nome da segunda mulher de Alexandre Correia Arnaud, o que pode indicar serem estes os seus avós. As quatro filhas de Rosa: Donana, Maria, Izabel e Tereza assinavam Correia Arnaud, outro forte indício, que pode também significar que ela era mesmo parente de João Correia Arnaud já que seu pai nasceu na mesma cidade baiana, Inhambupe, e que casou com um descendente deste.

         Os dois filhos homens de Gregório, "Papai Callou" e "Papai Xuxa" foram os fundadores das famílias Callou e Parente da região de Terra Nova-PE. Segundo contavam os antigos, o nome Callou surgiu do fato de que o corpulento menino sentia muito calor por ser gorducho e vivia de camisa aberta recebendo o apelido que decidiu incorporar ao sobrenome da família.

         Outra teoria é a de que tivesse ancestrais holandeses ou franceses, já que a maioria dos descendentes desta família são louros de olhos azuis, alguns baixos e obesos, o que indica uma ancestralidade celta, povo que habitava o norte da Península Ibérica ( norte de Portugal e Espanha), França, Bélgica, Holanda, partes da Alemanha, norte da Itália, Escócia, Irlanda e País de Gales.

         A hipótese menos plausível é a de que seriam descendentes de ciganos ou mesmo judeus, e que a palavra Callou seria uma versão afrancesada de Caló, nome da etnia cigana mais comum em Portugal e Espanha que migraram durante a colonização e se miscigenaram às famílias tradicionais, ou a de judeus asquenazitas do leste da Europa que vieram com os holandeses.

         De todas estas versões a que parece mais próxima da verdade é a de que seriam eles de origem europeia, alguns Callous de origem francesa se estabeleceram em Portugal há muito tempo e podem ter vindo para o Brasil. Apesar disso, alguns descendentes do Pereirinha tinha hábitos ciganos como ler mãos e ramos dessa família parecem ter costumes mouros e judeus.

         O Papai Xuxa, que devia se chamar Francisco como o avô, casou na família Parente, tradicional na região do vale do Jaguaribe e em Barbalha. Seus descendentes assinavam principalmente com "Parente de Sá Barreto", e destacaram-se o alferes Alexandre, pai de "São Alferes" e de Dona Branca (Joaquina Parente de Sá Barreto) - respectivamente sogro (pai de Dona Adélia) e mãe de Glicério de Sá Parente, filho do Cel. Jeremias de Sá Parente, líderes políticos de Terra Nova - e Antônio Parente do Tamboril, pai do major João Parente de Sá Barreto, "Joãozinho das Contendas", de Sabiá que gostava de assobiar e adotou o sobrenome à família, Romão e Padre, pai do Cônego Sizenando Sá Barreto, entre outros.

         Dos descendentes de Rosa, "Donana da Lama" (Sítio Barbalhese) provavelmente casou na família Parente, sua filha Luvana foi mãe de "Seu Dum", pai do Cel. Pereira Dum das Traíras e de Henrique da Trincheira. Seu filho Raimundo casou com Parenta, filha de "Papai Xuxa" e foi mãe de Maria Parenta da Natividade que casou com seu primo Menandro Pereira Filgueira, filho de Rosa, outra filha de "Donana da Lama", com um descendente do Filgueirinha - filho do Capitão-mor Filgueiras - com alguma senhora da família Grangeiro, tradicional no Cariri, mas de origem desconhecida pela genealogia regional, provavelmente eram servos das Granjas, fazendas administradas por ordens religiosas, ou cristãos-novos. Menandro e Natividade foram pais de Rosa Filgueira da Aboboreira, mãe de Ana Parente Filgueira, mulher de Aristides, comerciante de gado.

         Maria C. Arnaud foi mãe de José Gonçalves que com sua prima "Carlota" de "Donana da Lama" foi mãe de Alexandre, Manuel e Domingos Gonçalves Martins Parente que casou com sua prima Maria Arnou Parente filha de Cap. Domingos filho de Maria C. Arnaud com Messias filha de Donana da Lama. Domingo Parente e Maria Arnou foram os pais de Alexandre Martins Parente, lavrador, aviador (fabricante de vestimentas de couro) e curandeiro, pai de Ana Filgueiras mulher de Aristides comerciante de Gado.

         José Gonçalves filho de Donana da Lama foi o pai de "Parentinha" ou Maria Parenta de Sá Barreto, mulher de Antônio da Cruz Neves e mãe de Alexandrina da Cruz Parente (Dondon do Ouro Preto) mãe da Aristides da Cruz Parente, o citado comerciante de gado, patriarca dos "Aristides".

        Provavelmente o Pereirinha descendia do português Caramuru e da índia Paraguaçu, já parecia ser parente de João Correia Arnaud, de qualquer forma, dele descendia os rebentos de sua filha Rosa. Outras ligações possíveis são com os D'Ávilas e os Guedes de Brito.


         

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Apresentação
O autor deste blog, menino pobre de família tradicional, passou a infância escutando o avô e os tios contarem estórias de um passado glorioso em que a família gozara de prestígio social e econômico. Este passado, contado em fantásticas narrativas, levou-o a amar a história, gostar de assistir a filmes épicos e se apaixonar pela disciplina após ganhar "A história do mundo para crianças" de Monteiro Lobato aos dez anos. Leu o "Adolf Hitler" de John Toland, que seu tio Antônio Taumaturgo tinha como livro de cabeceira.   Decidiu cursar história na FACHUSC de Salgueiro, sem se identificar com a história social, embora sempre fosse um dos melhores alunos preferia o prazer das aventuras do passado ao  pensamento de Karl Marx.
 
Decidido a recontar as estórias que guardou das conversas com seus antepassados, decidiu publicá-las agora enriquecidas com pesquisas históricas, genealógicas e muita imaginação. Não é objetivo deste blog ser fiel a realidade utilizando métodos das ciências sociais, pouco importa se o que está sendo contado é verdade ou não - este é o espaço dos trabalhos acadêmicos - seu objetivo é divertir o leitor relatando um passado romantizado, épico. Muito do que os antigos contavam curiosamente foi confirmado por relatos de pesquisadores e documentos históricos.